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O melhor amigo do enredo!

João Gustavo Melo é jornalista de formação e atua como enredista da Unidos do Viradouro. Ao longo da trajetória, passou por escolas como Acadêmicos do Salgueiro, Mocidade Independente, São Clemente, Acadêmicos da Rocinha, Paraíso do Tuiuti e também pela Beija-Flor de Nilópolis. Sua experiência atravessa diferentes momentos e estruturas do carnaval, sempre em diálogo direto com o processo de construção dos enredos.

Ao contrário do que muita gente imagina, a criação de um enredo não nasce pronta na cabeça do carnavalesco. É um processo que passa por várias etapas e, principalmente, por validações. Como ele mesmo explica, “não é uma criação que vem da cabeça do carnavalesco e sai pronta, ela passa por muitas avaliações”. A primeira delas vem da própria escola, do presidente e da direção de carnaval, que precisam comprar a ideia. Existe ali um termômetro importante, baseado no conhecimento da comunidade e na percepção do que pode funcionar na avenida. No fim, tudo gira em torno de um ponto central: o samba. “É principalmente sobre o que vai dar bom samba”, resume.

Dentro desse processo, o papel do enredista é oferecer suporte ao carnavalesco, especialmente na pesquisa, no desenvolvimento do enfoque e na construção textual. Um enredo pode seguir muitos caminhos, e cabe a essa função ajudar a organizar essas possibilidades, estruturar o roteiro e desenvolver a argumentação. “O nosso papel é fazer isso junto ao carnavalesco, trazendo o suporte teórico, textual e de argumentação”, explica. Esse trabalho permite que o carnavalesco tenha mais liberdade para se dedicar à criação visual, enquanto o enredista sustenta a base narrativa do projeto.

📷 A selfie da comemoração do título com a quadra abarrotada!

A pesquisa começa ainda em paralelo à escolha do enredo. Aos poucos, o material vai sendo organizado em arquivos, reunindo referências de livros, entrevistas e, cada vez mais, experiências imersivas. “A gente vai fazendo nossas caixinhas, separando a parte de pesquisa, caindo dentro de livro, de entrevistas e também de imersões”, conta. Em alguns casos, essa imersão se torna fundamental para compreender o universo que será levado para a avenida. A partir desse mergulho, o conteúdo começa a ganhar forma, primeiro em anotações, depois em estrutura, até se transformar em roteiro. É desse roteiro que nasce a sinopse.

O processo do carnaval também pode ser medido em etapas de realização. Uma delas acontece quando o carnavalesco começa a desenhar e o enredo ganha forma visual. A outra vem com a sinopse, quando ela consegue gerar uma boa safra de sambas, com qualidade e aderência à proposta. E a mais decisiva, acontece na avenida. É ali que se percebe se o público compreendeu a história, se embarcou na narrativa, se viveu a experiência proposta pelo desfile. “É quando a gente entende se o público viajou naquela história”, diz. Quando isso acontece, há uma sensação de magia, ainda que seja resultado de um processo complexo, coletivo e cheio de camadas.

Para João Gustavo, esse processo depende diretamente da cumplicidade entre todos os envolvidos na criação. São muitas mãos e muitos caminhos, e o equilíbrio entre essas forças é o que permite que o enredo se realize plenamente.

📷 O campeonato de 2026 festejado e celebrado. Ele que escreveu o enredo!

Ao pensar em enredos marcantes, um sempre retorna como referência. Tupinicópolis é, para ele, um exemplo completo do que um grande enredo pode ser. Reúne pesquisa, humor, crítica e uma construção em camadas que convida à leitura atenta. Um trabalho que permanece como aula e inspiração para quem pensa o carnaval como linguagem, narrativa e experiência.

Agora é acompanhar seu trabalho para o Carnaval 2027!

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