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A Sapucaí e o dono da foto

Antes da história virar arquivo, ela passa pelo olhar de alguém. É por isso que essa semana começa diferente. Começa um especial dedicado ao olhar, ao registro e ao instante, com Walter Firmo, uma lenda viva da fotografia. Mas também é sobre quem continua esse ofício, quem hoje sustenta a memória que ainda está sendo escrita.

O CHÃO é isso. Escrever para o futuro. Pesquisar para o futuro. E nenhuma história se completa sem ter quem a enquadre.

No último carnaval, um desses olhares chamou atenção, e a gente virou fã. Rafael Catarcione fotografa a Sapucaí desde 2023, mas o olhar dele já vinha sendo treinado antes, em shows, espetáculos, no movimento. Talvez por isso ele entenda tão bem o tempo do carnaval, o segundo exato em que tudo acontece.

Porque uma foto icônica não se repete, ela acontece. E ele está lá. Ao falar sobre seu processo criativo, Rafael resume com precisão o que move seu trabalho ao dizer que tenta captar a espontaneidade do povo com o feeling de entender uma escola de samba.

Rafael não fotografa apenas o desfile. Ele percorre a avenida atrás do instante. Observa uma comissão de frente, atravessa a Sapucaí, espera o momento certo. E quando ele chega, o clique já estava pronto. Sorte a nossa que o obturador faz parte dele.

É assim que o carnaval sobrevive. No detalhe, no gesto, no olhar. E nas mãos de quem transforma segundos em memória. Ele eterniza momentos para o futuro. Suas fotos ficariam maravilhosas nas capas dos LP’s dos Sambas de Enredo.

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